(Lívia Caldas)
Para que a integração possa ocorrer, é necessário que os países dispostos a participar do processo efetivamente realizem aberturas na área comercial, ou melhor, que flexibilizem suas políticas comerciais. A integração é uma negociação, ou seja, é um jogo de ganha–ganha, onde os participantes deverão estar abertos a mudanças e modificações a serem realizadas tanto em sua postura externa quanto interna.
Muitas vezes a integração não se desenvolve bem, pois os países, que são geridos por seres humanos, têm como objetivo sempre preservar sua “casa” em primeiro lugar. Em situações arriscadas, ou que representem aumento da vulnerabilidade, a tendência dos países é se fechar, para proteger sua “casa”.
A América é um continente muito extenso, possuindo países com diversas características e pontos fortes diferentes. Essa diversidade poderia ser explorada e desenvolvida beneficamente, para que a interação entre os países do continente fosse interessante para todos.
Na América Central, os países tentaram consolidar uma iniciativa de integração regional chamada CARICOM. Trata-se de bloco de cooperação econômica e política, criado em 1973, formado por quatorze países e quatro territórios da região caribenha, e o bloco existe até hoje, auxiliando a interação dos mercados dos pequenos países do Caribe. Através do mesmo, houve a representação de uma forma de organização da região que ainda possui certa dependência de suas ex-metrópoles. O principal objetivo do Mercado Comum do Caribe é a maior integração econômica, mas esta não tem ocorrido de forma intensa como deveria. O maior problema da integração tem sido a pequena dimensão dos mercados e da base de exportação dos países do bloco.
Ao analisarmoss aqui esta pequena iniciativa de integração caribenha, pretende-se discutir se a integração apenas tem sentido quando os países participantes possuem economias complementares, fazendo com que a integração seja baseada numa realidade de alta diversidade, possibilitando a complementaridade entre seus membros. É difícil ocorrer uma integração muito bem sucedida com países que tem produção similar, já que para esses não haverá sentido reduzir tarifas entre eles para comercializarem produtos que já são produzidos internamente. O CARICOM é um exemplo deste insucesso.
Já o exemplo básico do sucesso em integração regional, é a União Européia. Este bloco possui países diversos, com produções diversificadas e que se complementam. Dentro do bloco, é possível negociar produtos agrícolas, minérios, produtos industrializados, etc. Esta diversificação faz com que a redução de tarifa e a integração entre eles tenha sentido. Eles negociarão entre eles com paridade para um “ajudar ao outro”, e negociarão externamente em forma de bloco defendendo suas economias, juntando forças para negociar fora do bloco e gerar um ganho maior pelo seu poder de persuasão no meio exterior.
O MERCOSUL não avança em sua “caminhada” rumo ao “sonho” de ser uma U.E., pois os países desta região possuem muitos impasses e problemas internos que não foram resolvidos. Eles não se prepararam para entrar neste “jogo” como os países participantes da U.E. se prepararam.
Se os obstáculos à integração forem superados, talvez as negociações não ocorram mais entre 195 países, e sim entre mais ou menos uns 10 blocos. Simples, não ?