17 de set. de 2009

Integração da América Latina

(Aline Aragon e Thomas Fabelo)
Existem algumas palavras que poderiam definir a integração da América Latina, como: difícil, complicada, arriscada e complexa; e outras mais positivas, como: necessária, essencial e oportunidade.
O único exemplo de integração de fato é o modelo da União Européia, que poderia ser usado para a América Latina como um exemplo de que a integração é possível, não fosse pela falta de confiança, transparência e coerência de alguns países do bloco. Além disso, há uma grande diferença entre os países europeus e latinoamericanos, e a principal diferença está na origem dos Estados. Enquanto a Europa é uma civilização antiga, a América Latina têm países que tiveram sua origem na colonização européia, e até hoje são subdesenvolvidos (desconsiderando o caso da Argentina, que é um caso único de um país que foi considerado desenvolvido e hoje está no grupo dos subdesenvolvidos).
Apesar de algumas iniciativas de integração, como Mercosul, Unasul e CARICOM, nenhum bloco atingiu nível elevado de integração e não apresenta ainda perspectivas de mudança no curto prazo. Esse é outro ponto que causa discórdia nos países. São vários os blocos tentando a integração de diferentes maneiras, mas muitas vezes tem o mesmo interesse. O principal deles serial o desenvolvimento em conjunto de todos os países. Uma integração única de larga escala, teria que abolir a idéia de vários blocos e gerar um único bloco, com um único objetivo, uma única meta, um único ideal.
Ainda assim, o MERCOSUL pode representar uma oportunidade para esses países terem mais peso internacional do que teriam individualmente. Para isso, os países precisam crescer juntos, ou seja, de forma homogênea. Cabe a esses países decidirem realmente se querem enfrentar os riscos da integração, ou se contentarem com a fatia de participação no meio internacional que lhes é concedida.
A questão gira muito em torno do Brasil, pelo tamanho de sua economia e também pela estabilidade que demonstrou ter nos últimos anos. É claro que atualmente o Brasil tem condições de se inserir mais no contexto internacional sozinho, mas a integração poderia ser mais vantajosa do ponto de vista da participação internacional, e da complementaridade da economia desses países.
O momento é de repensar o MERCOSUL e a forma como ele foi implementado, já que a rápida integração feita em apenas dez anos não refletiu a realidade do bloco. Talvez seja necessário criar um novo modelo, e não tentar usar o já existente como a União Européia, respeitando as diferenças entre os países desses dois blocos.
Contudo, a integração também vai depender muito dos interesses e das decisões políticas dos países, e também das próximas eleições. O fato é que é preciso estabelecer novas metas, buscando o mesmo objetivo, para manter perspectivas de futuro. É preciso também que os países procurem se conhecer melhor a ponto de que possam confiar plenamente uns nos outros. Várias dúvidas e incertezas quanto uma integração maior estão relacionadas com a transparência dos países dos blocos. Nem todos os países confiam nos índices econômicos divulgados pela Argentina. Nem todos os países acreditam nas propostas de Hugo Chavez. Nem todos acreditam na vontade de integração do Uruguai e do Paraguai. São necessárias propostas que agradem todos os países-membros do bloco. E isso é possível. A integração da América Latina vem se desenhando há séculos, com personagens conhecidos como José de San Martín, Simón Bolívar, José Martí e Ernesto “Che” Guevara.
A integração é eminente e se fortalece cada vez mais com o passar do tempo. A atuação situação já está bastante desenvolvida se comparada com o histórico da América Latina. Porque por mais que a integração ainda não tenha tido sucesso, a vontade de que isso aconteça já é grande, e a manifestação dos países é positiva. Provavelmente, é algo que será efetuado em longo prazo, porém a união acontecerá.