20 de out. de 2009

Contratempos na Integração Sulamericana

(Diego Zettermann Soeiro)

A América do Sul parece ter se tornado numa zona de disputa entre velhas e novas potencias. A incursão de países como China, França, Espanha e Irã na geopolítica sulamericana parece confirmar a tendência. O que é compreensível, pois a integração do MERCOSUL com a Comunidade Andina permite a formação de um espaço econômico maior que a economia da Alemanha.

A China está interessada no abastecimento de energia, de recusros minerais e de alimentos, pois disso dependem seu crescimento e sua estabilidade política. A Rússia parece interessada em aumentar seus mercados de armamentos, enquanto França e Espanha já possuem forte presença cultural e econômica na América do Sul. Os países da América do Sul possuem a China como um destino importante de suas exportações. Do ponto de vista dos Estados Unidos, o continente não deixa de representar significado geopolítico, devido à proximidade e também em função do seu potencial econômico e ambiental.

Por essas razões, os Estados Unidos têm renovado sua ação na região, através da assinatura de acordos bilaterais, especialmente com Colombia, Peru e Chile, em detrimento de outras iniciativas mais amplas, como a ALCA. Mesmo assim, essa estratégia tem sido percebida na região como uma maneira de aumentar sua influência. Mesmo assim, as ações americanas no Afeganistão e Iraque parecem sinalizar uma postura um tanto quanto negligente à região.

Do ponto de vista dos países sulamericanos, os Estados tendem a fazer o cálculo de qual será o maior benefício, se associar plenamente a acordos de integração da região, ou por outro lado, aderir aos acordos bilaterais americanos, o que lhes permitiria participar de forma mais autônoma no mundo, sem serem absorvidos por um bloco limitado regionalmente.

As incursões de todas essas potências ao mesmo tempo podem ou ajudar ou atrapalhar os processos de integração. Podem oferecer uma maior capacidade de negociação e barganha para os países da região, mas podem também contribuir para a fragmentação, geopolítica e também econômica, através das tradicionais especializações produtivas. Podem operar como força centrífuga, debilitando os laços de cooperação e integração política e conômica dentro do continente.

Os estímulos para a adesão a acordos regionais se relacionam com o fortalecimento proporcionado pela coalizão, ajudando a limitar o poder de outras potências, e agregando áreas de influência e representando uma elevação do status internacional da região. Da mesma maneira, um bloco ativo possibilita maior estabilidade institucional e democrática. Assim, a política de cooperação militar é importante no MERCOSUL, pois ajuda na construção de uma capacidade autônoma de defesa. A integração poderia permitir aos países da América do Sul alcançar aquilo que isoladas não poderiam alcançar e muito menos com sua situação de dependência industrial e tecnológica.

Balanço da Integração Regional

(Felipe Widera)

América do Sul é a região que apresenta uma crescente importância geopolítica nos últimos tempos e a disputa pela predominância da influência está bem acirrada, principalmente pelo enfraquecimento da influência norte-americana na região. A importância da região pode ser facilmente compreendida, se caracteriza não só pelo tamanho, população e mercado potencial, mas também pela grande quantidade de recursos naturais. Níveis de crescimento econômico foram relatados nos últimos tempos em relação aos anos 90, mas a região continua sendo a mais desigual do planeta. A América do Sul sempre foi uma região de predominância da paz e da cooperação, todos esses pontos são cruciais para a consolidação de um programa de integração sul-americana.

Na América do Sul, diferentemente do que acontece América Central e no Caribe, os Estados Unidos não consegue mais impor sua influência hegemônica. A mais relevante tentativa norte-americana para isso é a presença militar e política na Colômbia, tão criticada por Hugo Chávez. Um dos aspectos da “distância” dos assuntos dos EUA com a América do Sul talvez seja o posicionamento mais recente norte-americano em relação ao Oriente Médio, como a guerras do Afeganistão e Iraque.

A presença de blocos regionais, como o Mercosul, pode ser considerado como benéfico para os países que representam pólo de poder, pois podem se constituir em importante fator para a dominação política. Mesmo se tratando de países mais frágeis, os blocos podem ajudar, ao oferecer uma oportunidade de limitar os países mais poderosos, proporcionando um espaço político ao mesmo tempo de integração e defesa.

Os países membros do Mercosul tem atuado na defesa contra os efeitos da crise na América do Sul, preservando assim as instituições democráticas. Nesse sentido, a política de cooperação militar é outro pilar do MERCOSUL, pois permite que os países desenvolvam uma capacidade autônoma para defesa.

Já no que se refere à Unasul, se pretende criar condições propícias para o desenvolvimento econômico, cooperativo e sustentável, podendo vir a funcionar como uma plataforma para o desenvolvimento econômico, mas também para a projeção internacional dos países associados.
Nesse contexto, a China joga um papel fundamental para essas estratégias, pois todas as economias da região possuem na China o principal destino das exportações, uma vez que este é um país relativamente pobre em recursos naturais e dependente de grandes importações de matérias-primas. É o caso do Brasil com suas exportações de soja e minério de ferro, do Chile e suas exportações de cobre, do Peru e de suas exportações de cobre e estanho, do Uruguai exportando cereais e soja, do Equador, Colômbia e Venezuela com as exportações de petróleo. Em contrapartida, todos parecem ser abastecidos de manufaturas baratas fabricadas na China.

Em termos de geopolítica o Mercosul é o centro da América do Sul. Argentina-Brasil é uma parceria estratégica e também uma prioridade para a defesa dos interesses da América do Sul. A aliança Argentina-Brasil serve sustentar o poder, é importante para ambos os países, e para a região também, assim como para o Brasil, pois contribui para projetar sua liderança. Todas essas iniciativas oferecem para os países do continente, o que alguns chamam de “blindagem múltipla”. A parceria Brasil-Argentina garanti a estabilidade regional através da legitimação político-diplomática da personalidade do bloco, reduzindo riscos e instabilidades.

Tanto o MERCOSUL e da América do Sul estão entre suas prioridades a configuração de uma espinha dorsal para sustentar a integração, especialmente referente à infra-estrutura de comunicação, rodoviária, ferroviária e hidroviária, elétrica ou financeira.

Como costuma dizer Moniz Bandeira, sem a Argentina não há MERCOSUL, e sem MERCOSUL não há UNASUL. E sem o Mercosul e a Unasul, todos os países do continente tendem a ser marginalizados, num mundo no qual parecem ser cada vez mais importantes blocos geográficos, demográficos e econômicos.

Balanço crítico sobre a integração nas Américas

(Thomas Fabello)

Analisando todos os processos de integração da América Latina ( Mercosul, Unasul, Comunidade Andina, entre outros) é possível perceber que todos têm um futuro incerto. Por vários motivos, o futuro é uma grande névoa influenciada por decisões políticas e econômicas dos governos da região, e ainda mais, pelas decisões tomadas que não deram certo. Basta avaliar alguns países da região para comprovar isso. Ao mesmo tempo, perguntas sobre o futuro parecem intrigantes. Qual a sustentabilidade do projeto bolivariano ? Qual o impacto do alinhamento de Peru e Colômbia com os EUA ? Qual o futuro das iniciativas integracionistas do Brasil após o governo Lula ? Haverá outra forma de estabilidade para a Argentina além do peronismo ? Qual o futuro da América Latina em relação aos EUA, que agora tem como presidente Barack Obama ?

Também pode ser analisado três importantes pilares para compreender os fracassos dos blocos: a lógica da integração, em que é relatada a falta de vontade política dos blocos e do Mercosul em especial, por ter um perfil de “supranacionalidade realista” ? A lógica econômica, que aborda os poucos avanços obtidos nessa área. E a lógica política, que parece ter se deteriorado ?

Também é possível perceber que o Mercosul praticamente não realiza acordos com outros países. Desde a sua criação, somente um acordo foi firmado, com Israel. Os outros acordos são todos bilaterais. Com isso, principalmente os países menores do Mercosul (Paraguai e Uruguai) ficam seduzidos a cada vez mais realizarem esses acordos,especialmente com os países do Norte, como EUA e União Européia, e saírem do bloco, onde alegam que o resultado esperado não foi atingido.

Há ainda outros fatos que causam discórdia na região, como a preocupação de alguns países, como Venezuela, Bolívia e Equador, sobre a perspectiva de um possível “ALCA Europeu” sobre as Américas, já que muitos países estão preferindo realizar acordos com a EU. Isso poderia gerar um novo bloco, ligando diretamente as relações econômicas entre os dois continentes, baseado no que acontece na América do Norte com a ALCA. Esses países se mostram tão preocupados porque, seguindo-se o modelo da ALCA, representaria um projeto que claramente beneficiaria os integrantes mais poderosos, preservando assimetrias e relações de dependência, como parece acontecer na relação do México dom seus parceiros do Nafta. O mesmo poderia perfeitamente acontecer em relação à União Européia e os países latino-americanos, unidos numa relação de exploração.

Ou seja, parecem existir muito mais obstáculos que oportunidades para o processo de integração regional. É importante ainda frisar que a integração da América Latina é possível e ela seria algo muito positivo para região. Mas, nessa área, as ações não parecem se dirigir para corrigir erros do passado. Ao contrário, parecem produzir novos erros, novos afastamentos, e nova fragmentação. Faltam muitos quesitos para se chegar a uma integração plena e os países parecem estar dando passos para trás. Por isso o futuro é tão nebuloso.

Integração Regional nas Américas

(Úrsula Menezes)

Um dos pontos principais a se levar em consideração na atual conjuntura política e econômica internacional é a volta do Estado a seu papel tradicional de principal gestor dos mercados. Essa tendência parece ser um fator importante para um processo de integração nas Américas, uma vez que essa parece ser a aposta de todos, restituir a defesa dos interesses nacionais nesse momento de fragilidade.

O que parece impedir um novo “boom” na integração regional nas Américas seria a ausência de uma liderança clara no continente para a realização desse projeto, a ausência de prioridades nesse sentido por parte da potência continental, os Estados Unidos.

A prioridade na política externa do governo americano parece ser a “política sanitária” na Ásia do presidente Obama, pois as principais estratégias externas parecem totalmente focadas nas questões de segurança e nas ameaças originadas do Irã, Afeganistão e Oriente Médio. Assim, não seria interessante investir, no momento, em novas iniciativas de apoio à cooperação e integração regional no continente. Os próprios custos políticos destas eventuais iniciativas de liderança regional poderiam ser maiores que os benefícios, causando eentualmente mais tensões e conflitos, num cenário de desconfiança permanente.

Muitos especialistas acreditam que o cenário atual seria o momento ideal para que a América Latina pudesse formar uma nova integração regional, uma integração que fosse além do aspecto puramente comercial. Dessa maneira, os países do continente poderiam se fortalecer no âmbito internacional e fazer frente de maneira mais consistente à crise econômica mundial. Esse seria apenas um exemplo de como a América Latina poderia focar seu rumo estratégico, ao insistir na percepção de que a região não é e não será prioridade para os Estados Unidos.

Esta percepção poderia ganhar mais embasamento quando observamos que as instituições internacionais, que teriam o papel de pilares para uma ordem mundial mais estável e cooperativa, parecem, ao contrário, cada vez mais desmoralizadas, sendo facilmente desrespeitadas, prevalecendo o interesse nacional. Seja diante de critérios Liberais como de critérios Realistas, parecem faltar elementos essenciais para seja possível prever um renascimento da tão falada integração regional no continente.

Visões Realista e Liberal sobre o Nafta

(Ùrsula Menezes)
Segundo a tradicional perspectiva Realista, as três nações componente do Nafta, EUA, Canadá e México, parecem atuar baseadas somente no interesse nacional imediato, em função de objetivos estratégicos, não importando tanto assim os acontecimentos internos, de ordem econômica ou política. As decisões de política externa, assim, priorizariam as variáveis referentes à movimentação estratégica dos demais Estados, especialmente no contexto mundial.

Nesse sentido, o cenário internacional cada vez mais parece se construir em função das mudanças de posicionamento dos Estados Unidos e, dessa maneira, as avaliações dos componentes do Nafta seriam efetuadas em relação à melhor maneira de atender seu interesse estratégico, se melhor atendido em associação à potência americana, ou se posicionando com mais autonomia (ou até mesmo contra) em relação à potência global.

Analisando o que acontece atualmente no sistema internacional, podemos perceber que prepondera uma tendência de novo equilíbrio de poder entre potências médias, com a coexistência de múltiplos centros de poder. Dessa maneira, muitos Estados parecem optar pelo movimento de alianças variáveis na tentativa de contrabalançar a potência central, como muitas vezes parece mobilizar a União Européia, assim como os países do MERCOSUL e de outras renovadas iniciativas de cooperação nas Américas. Mas, entre os Estados que têm seus interesses estratégicos melhor atendidos ao atuarem junto à potência americana, normalmente estão México e Canadá. Por essa razão, parece existir algum espaço para viabilizar o Nafta, ao atender os interesses dos seus três.

Para estes países, estar ao lado do país mais poderoso do mundo, ou seja, o país que ainda tem a maior capacidade de influenciar os demais Estados no sistema internacional, influenciando muito mais do que é influenciado, parece ser a opção mais vantajosa, porque tendo interesses alinhados, eles se beneficiariam em alguma medida do poder norte-americano. É importante lembrar que o desenvolvimento deste acordo regional também se torna vantajoso não apenas pelas questões relativas ao poder, ou pelas dimensões estratégicas que movem esta aliança, mas também por seus efeitos macroeconômicos e comerciais.

Mesmo com um estado de desconfiança e vigilância permanente entre os três países, o NAFTA deverá ter continuidade, pois representaria, segundo a perspectiva Realista, uma maneira de garantir a aquisição e a preservação de poder, no caso, por meio de alianças de caráter regional. Mesmo que nenhum Estado possa contar com outro para defender seus interesses e sua sobrevivência, nesse caso, esta aliança contempla em boa medida o interesse nacional dos três, e é sempre claro na visão Realista que quando isso não mais acontecer, qualquer dos Estados romperá o acordo, sempre pensando o interesse nacional.

Perspectivas Liberais e Realista para o NAFTA

(Daniella Santos )

O Nafta é um bloco econômico formado por Estados Unidos, Canadá e México, garantindo aos membros a situação de livre comércio. Mesmo que com muitas assimetrias, o reduzido número de integrantes, apenas três países, facilita a tarefa da cooperação regional.

Para analistas Realistas, as perspectivas de desenvolvimento deste bloco não são grandes, pois os normalmente vêem os Estados como os únicos atores determinantes das relações internacionais, de maneira que a cooperação acaba sempre sendo problemática. Acreditam ainda que a integração regional acabe por inibir o poder soberano dos Estados, especialmente no que se refere à relação custo-beneficio entre integração e delegação de soberania. Normalmente, a tendência seria perceber essa relação como negativa, trazendo mais custos do que benefícios, pois, para essa perspectiva, o interesse da integração viria apenas da possibilidade de atingir os objetivos que desejam. Por isso, o nível em que se encontra atualmente o bloco parece ser suficientemente confortável para os seus membros, já que atingem, de uma maneira ou de outro, atendem os objetivos, seja para EUA e Canadá, conseguindo reduzir custos de produção ao instalarem filiais no México, aproveitando a mão-de-obra barata e incentivos ali disponíveis, mas também para o México, ao gerar empregos para sua população e aumentar suas exportações de manufaturados. Da mesma maneira, o México parece conseguir, através do Nafta, se projetar melhor no cenário mundial, pois se trata de um país com potencial de desenvolvimento e com bom relacionamento com potências tradicionais. Com essa geração de empregos no México, pode ajudar a diminuir a imigração nos EUA, pois não será necessário mudar de país para conseguir uma chance de trabalho, por isso não é interessante e vantajoso aos EUA que expanda o nível do bloco para circulação de mão – de – obra, ainda mais depois da crise, onde o desemprego aumentou.

Assim, analisando-se as perspectivas sob uma ótica Realista, poderíamos traçar como cenário possível baseado na manutenção do mesmo estágio de integração, uma vez que o Nafta está funcionando, atendendo aos interesses e necessidades dos seus três membros, se beneficiando com ele, no plano imediato, como no plano estratégico global.

Outro cenário de inspiração Realista para o bloco, numa variação mais pessimista, poderia ser a estagnação (e até extinção) do bloco, pois, considerando que as alianças são instáveis, então, mudanças estruturais no cenário global poderiam tornar esta iniciativa regional desnecessária, deixando de atender os interesses estratégicos dos países membros, que poderiam ser trabalhados de outra maneira e por outros caminhos estratégicos, como o bilateralismo.

Já segundo visões de inspiração Liberal, os Estados nacionais tendem a cooperarem, em função da percepção e da construção de interesses comuns advindos do comércio e das finanças internacionais. Esta percepção se apóia na idéia de “soma positiva”, segundo a qual, todos podem ganhar ao mesmo tempo nas relações internacionais, não necessariamente na mesma proporção, claro, mas todos poderiam ganhar com as trocas internacionais e a cooperação, e isso seria percebido como suficiente. Seria isso o que ocorreria no Nafta, onde nenhum membro perde em termos absolutos com o acordo, todos estão sendo beneficiados de alguma maneira e em alguma intensidade.

Dentro do Liberalismo, encontramos visões Funcionalistas, segundo as quais, o processo de integração internacional é visto como um processo de desenvolvimento gradual, baseado em dinâmicas de aprendizagem contínua. A cooperação iniciada num setor terá tendência a espalhar-se a vários outros (processo de spill-over) e, por isso, surgirá a necessidade de instrumentos de coordenação da cooperação cada vez mais extensa. Isso é o que pode vir a acontecer com Nafta, que está no estágio mais simples de integração, no qual os países conseguem manter o controle do acordo, porém se for de comum interesse para os três, o bloco pode avançar de nível.

Nessa perspectiva, um cenário que podemos traçar, seria a expansão da cooperação no âmbito do livre comércio para outros níveis e outros temas, contribuindo para o fortalecimento do Nafta como um bloco. Claro, caso seja de interesse de todos os membros, pois, caso contrário, o bloco pode se manter na mesma situação em que se encontra, ou até mesmo se estagnar.

Outro cenário seria o avanço para o multilateralismo, no qual seria a adesão de mais países ao bloco, para a resolução de problemas comuns que sozinhos não conseguem resolver ou interesses comuns que querem ser atingidos. Então, precisam cooperar uns com os outros para que encontrem soluções para esses problemas e para isso, deverão “abrir mão” um pouco de sua soberania, já que irão adotar algumas políticas comuns.

Como é o caso que ocorre agora no Nafta, a proximidade do Chile com o bloco, que já apresenta acordos bilaterais com Canadá e México e está se aproximando dos EUA, mesmo apresentando uma economia pequena em relação aos outros membros, o Chile oferece benefícios que lhes interessa.

As perspectivas de desenvolvimento do NAFTA: visões Realista e Liberal

(Lívia Caldas)

Como o próprio nome do bloco já diz, o NAFTA é um acordo de livre comércio, ou seja, seu objetivo principal é cumprir com a primeira etapa da Integração Regional que é a eliminação de barreiras aduaneiras do comércio intraregional.

Analisando o NAFTA sob uma visão realista, podemos observar que este é um acordo com base em interesses estratégicos dos Estados membros, gerando efeitos a curto e médio prazo para os mesmos. Este acordo é baseado em dois Estados fortes e desenvolvidos e um Estado em desenvolvimento, que está sendo muito beneficiado por esta integração, motivo pelo qual este se mantém no acordo, mesmo que pareça que a dependência entre este e os maiores seja grande, o ganho com a integração foi mais significativo.

O NAFTA funciona porque todos os membros querem participar e todos estão com seus interesses sendo supridos, formando uma coalizão de forças regional que se apresenta forte perante o exterior. O acordo é defendido, patrocinado principalmente pelos EUA já que para este é fundamental ter controle de um Estado com uma economia mais fraca, o México, que está geograficamente próximo representando riscos caso ocorra uma crise neste, pois os mexicanos irão imediatamente buscar suprir suas necessidades com os bens do mais forte, por exemplo, ocupação de empregos americanos.

O acordo tem perspectivas de crescimento já em sua formação, nos tratados assinados. Foram escritas metas a serem atingidas, mas que ainda estão em processo. Enquanto o acordo estiver suprindo os interesses dos participantes, este irá durar, e só irá se expandir caso os EUA imponha ao grupo a necessidade de expansão para ganhos superiores de todos os Estados membros, como por exemplo, iniciando uma influência na região sul-americana através do Chile, influência esta que é fundamental para o equilíbrio de poder. O bloco irá crescer sim, para que o poder e força do líder do bloco, os EUA, seja visto pelos outros Estados como possível coalizão de interesses.

Por uma visão liberal, o enfoque é outro. Neste caso, as instituições e não os Estados são as provedoras e mantenedoras da integração. O NAFTA é uma instituição que funciona porque é efetiva, porque é importante para a evolução da cooperação que gera ganhos a todos, ganhos menores para uns e maiores para outros, mas todos sempre ganham se cooperam. Ganha-se mais cooperando do que gerando conflitos e desarmonias entre economias.

O acordo é uma etapa intermediária para um estágio mais evoluído das relações internacionais que será a predominância do multilateralismo. Há perspectivas de crescimento para esta integração. Mesmo que seja difícil a realização de todas as etapas da integração regional, o NAFTA caminha para a conclusão desta e início do multilateralismo consolidado. Para os EUA, um mercado comum é preocupante por conta do fator agravante em sua economia e política que é a alta imigração mexicana, mas se os países tiverem livre circulação de mão-de-obra, a priori, o fluxo imigratório será grande, mas depois a tendência é o equilíbrio já que o país de origem também estará se desenvolvendo com a integração e só estará ganhando com a mesma.

É importante entender que o futuro do NAFTA, sob uma visão liberal, é de expansão e não limitação. Esta é uma integração que reúne dois países desenvolvidos, o Canadá e os EUA, e um em desenvolvimento, o México, podendo ser interpretado como um teste para futuras integrações com outros países da América. O México é como um país que estivesse sendo testado e analisado para que os erros com este sejam corrigidos e os acertos sejam repetidos na integração com outros países com economias parecidas com a mexicana.

O NAFTA já está realizando uma aproximação com o Chile, representando está iniciativa para uma extensa integração, representando a predominância de cooperação do meio internacional, sendo esta fundamental para que o multilateralismo possa existir e gerar ganhos a todos.

Avanços e contratempos

(Lívia Caldas)

Sobre o assunto da integração na América do Sul, entende-se que há benefícios e problemas que está integração traz para os países da região. Através do entendimento de que a Doutrina Monroe está sendo corroída, entende-se que os rumas agora das relações comerciais e diplomáticas dos países sul-americanos seguem para outras direções, sem mais depender do que os EUA orientam a serem seguidos. Muitos países têm interesses nessa área, como China, Rússia, Índia, e até mesmo o Irã. Esses interesses são geralmente no quesito econômico, mais do que no quesito “influência”, gerando uma conexão comercial intensa.

Através de análises realistas e liberais, cada assunto sobre a integração é interpretado de uma maneira. No desenvolvimento sobre a política do MERCOSUL, a análise liberal surge quando o estudo é feito sobre o Neoliberalismo que foi disseminado pelos EUA através do Consenso de Washington, mas há uma crítica com relação à redução da atuação do Estado que o neorealismo faz: o Estado mínimo gera conseqüências como serviços públicos prestados inadequadamente, e como a propagação de redes criminais ou terroristas.

No quesito militarismo, numa visão realista, o foco é na necessidade de proteção de recursos naturais, que é necessário este tipo de proteção como forma de assegurar a sua nação suas fontes naturais que de direito lhe pertencem, mesmo que a tradição da região seja pacífica.
Sobre a UNASUL, podemos entender esta via de união sul-americana da seguinte maneira: esta funciona como meio de blindagem do exterior, que garante proteção, e como o Brasil é o único membro dos BRICs que não possui armamento nuclear, e este ponto está ligado pela UNASUL dando uma referência a capacidade de proteção do Brasil. Outro ponto desta questão é em relação às saídas para o pacífico, uma questão territorial, sendo um meio de integração territorial para a expansão do território.

Sobre a China na América do Sul, seu papel é importante para os países da região, principalmente para a Argentina. A China desempenha o papel de principal importador de produtos primários (maioria das exportações sul-americanas: soja, trigo, cobre, ferro, e etc.), sendo fundamental na balança comercial de vários países da região, apesar de “atrapalhar” muitas vezes o comércio e a indústria doméstica dos países pelos produtos chineses serem altamente competitivos. Para ela, a integração na região é boa como meio de afastar o poder dos EUA desses países, e ela expandir os dela para aumentar seu comércio.
Conclui-se que os EUA já perdeu uma parte de sua capacidade de controle sobre a América do Sul, por diversas razões. Nos tempos atuais, nem o confronto aberto nem a subordinação gratuita existem mais como antes, mas é difícil dizer que os países sul-americanos terão autonomia sobre eles mesmos.

A integração sul-americana é necessária para que a interação entre os países seja rígida e se apresente assim para o exterior, como forma de apoio. Mas para que esta aconteça é necessária a complementaridade das produções, claro que não precisa haver produção de um tipo só de produto em cada um, mas se tiverem produção diversificada com foco em um produto para a exportação entre os países da integração que complemente o mercado integrado, talvez ocorra equilíbrio, assim cria-se um ambiente favorável para o desenvolvimento da integração regional.