20 de out. de 2009

As perspectivas de desenvolvimento do NAFTA: visões Realista e Liberal

(Lívia Caldas)

Como o próprio nome do bloco já diz, o NAFTA é um acordo de livre comércio, ou seja, seu objetivo principal é cumprir com a primeira etapa da Integração Regional que é a eliminação de barreiras aduaneiras do comércio intraregional.

Analisando o NAFTA sob uma visão realista, podemos observar que este é um acordo com base em interesses estratégicos dos Estados membros, gerando efeitos a curto e médio prazo para os mesmos. Este acordo é baseado em dois Estados fortes e desenvolvidos e um Estado em desenvolvimento, que está sendo muito beneficiado por esta integração, motivo pelo qual este se mantém no acordo, mesmo que pareça que a dependência entre este e os maiores seja grande, o ganho com a integração foi mais significativo.

O NAFTA funciona porque todos os membros querem participar e todos estão com seus interesses sendo supridos, formando uma coalizão de forças regional que se apresenta forte perante o exterior. O acordo é defendido, patrocinado principalmente pelos EUA já que para este é fundamental ter controle de um Estado com uma economia mais fraca, o México, que está geograficamente próximo representando riscos caso ocorra uma crise neste, pois os mexicanos irão imediatamente buscar suprir suas necessidades com os bens do mais forte, por exemplo, ocupação de empregos americanos.

O acordo tem perspectivas de crescimento já em sua formação, nos tratados assinados. Foram escritas metas a serem atingidas, mas que ainda estão em processo. Enquanto o acordo estiver suprindo os interesses dos participantes, este irá durar, e só irá se expandir caso os EUA imponha ao grupo a necessidade de expansão para ganhos superiores de todos os Estados membros, como por exemplo, iniciando uma influência na região sul-americana através do Chile, influência esta que é fundamental para o equilíbrio de poder. O bloco irá crescer sim, para que o poder e força do líder do bloco, os EUA, seja visto pelos outros Estados como possível coalizão de interesses.

Por uma visão liberal, o enfoque é outro. Neste caso, as instituições e não os Estados são as provedoras e mantenedoras da integração. O NAFTA é uma instituição que funciona porque é efetiva, porque é importante para a evolução da cooperação que gera ganhos a todos, ganhos menores para uns e maiores para outros, mas todos sempre ganham se cooperam. Ganha-se mais cooperando do que gerando conflitos e desarmonias entre economias.

O acordo é uma etapa intermediária para um estágio mais evoluído das relações internacionais que será a predominância do multilateralismo. Há perspectivas de crescimento para esta integração. Mesmo que seja difícil a realização de todas as etapas da integração regional, o NAFTA caminha para a conclusão desta e início do multilateralismo consolidado. Para os EUA, um mercado comum é preocupante por conta do fator agravante em sua economia e política que é a alta imigração mexicana, mas se os países tiverem livre circulação de mão-de-obra, a priori, o fluxo imigratório será grande, mas depois a tendência é o equilíbrio já que o país de origem também estará se desenvolvendo com a integração e só estará ganhando com a mesma.

É importante entender que o futuro do NAFTA, sob uma visão liberal, é de expansão e não limitação. Esta é uma integração que reúne dois países desenvolvidos, o Canadá e os EUA, e um em desenvolvimento, o México, podendo ser interpretado como um teste para futuras integrações com outros países da América. O México é como um país que estivesse sendo testado e analisado para que os erros com este sejam corrigidos e os acertos sejam repetidos na integração com outros países com economias parecidas com a mexicana.

O NAFTA já está realizando uma aproximação com o Chile, representando está iniciativa para uma extensa integração, representando a predominância de cooperação do meio internacional, sendo esta fundamental para que o multilateralismo possa existir e gerar ganhos a todos.