20 de out. de 2009

Balanço da Integração Regional

(Felipe Widera)

América do Sul é a região que apresenta uma crescente importância geopolítica nos últimos tempos e a disputa pela predominância da influência está bem acirrada, principalmente pelo enfraquecimento da influência norte-americana na região. A importância da região pode ser facilmente compreendida, se caracteriza não só pelo tamanho, população e mercado potencial, mas também pela grande quantidade de recursos naturais. Níveis de crescimento econômico foram relatados nos últimos tempos em relação aos anos 90, mas a região continua sendo a mais desigual do planeta. A América do Sul sempre foi uma região de predominância da paz e da cooperação, todos esses pontos são cruciais para a consolidação de um programa de integração sul-americana.

Na América do Sul, diferentemente do que acontece América Central e no Caribe, os Estados Unidos não consegue mais impor sua influência hegemônica. A mais relevante tentativa norte-americana para isso é a presença militar e política na Colômbia, tão criticada por Hugo Chávez. Um dos aspectos da “distância” dos assuntos dos EUA com a América do Sul talvez seja o posicionamento mais recente norte-americano em relação ao Oriente Médio, como a guerras do Afeganistão e Iraque.

A presença de blocos regionais, como o Mercosul, pode ser considerado como benéfico para os países que representam pólo de poder, pois podem se constituir em importante fator para a dominação política. Mesmo se tratando de países mais frágeis, os blocos podem ajudar, ao oferecer uma oportunidade de limitar os países mais poderosos, proporcionando um espaço político ao mesmo tempo de integração e defesa.

Os países membros do Mercosul tem atuado na defesa contra os efeitos da crise na América do Sul, preservando assim as instituições democráticas. Nesse sentido, a política de cooperação militar é outro pilar do MERCOSUL, pois permite que os países desenvolvam uma capacidade autônoma para defesa.

Já no que se refere à Unasul, se pretende criar condições propícias para o desenvolvimento econômico, cooperativo e sustentável, podendo vir a funcionar como uma plataforma para o desenvolvimento econômico, mas também para a projeção internacional dos países associados.
Nesse contexto, a China joga um papel fundamental para essas estratégias, pois todas as economias da região possuem na China o principal destino das exportações, uma vez que este é um país relativamente pobre em recursos naturais e dependente de grandes importações de matérias-primas. É o caso do Brasil com suas exportações de soja e minério de ferro, do Chile e suas exportações de cobre, do Peru e de suas exportações de cobre e estanho, do Uruguai exportando cereais e soja, do Equador, Colômbia e Venezuela com as exportações de petróleo. Em contrapartida, todos parecem ser abastecidos de manufaturas baratas fabricadas na China.

Em termos de geopolítica o Mercosul é o centro da América do Sul. Argentina-Brasil é uma parceria estratégica e também uma prioridade para a defesa dos interesses da América do Sul. A aliança Argentina-Brasil serve sustentar o poder, é importante para ambos os países, e para a região também, assim como para o Brasil, pois contribui para projetar sua liderança. Todas essas iniciativas oferecem para os países do continente, o que alguns chamam de “blindagem múltipla”. A parceria Brasil-Argentina garanti a estabilidade regional através da legitimação político-diplomática da personalidade do bloco, reduzindo riscos e instabilidades.

Tanto o MERCOSUL e da América do Sul estão entre suas prioridades a configuração de uma espinha dorsal para sustentar a integração, especialmente referente à infra-estrutura de comunicação, rodoviária, ferroviária e hidroviária, elétrica ou financeira.

Como costuma dizer Moniz Bandeira, sem a Argentina não há MERCOSUL, e sem MERCOSUL não há UNASUL. E sem o Mercosul e a Unasul, todos os países do continente tendem a ser marginalizados, num mundo no qual parecem ser cada vez mais importantes blocos geográficos, demográficos e econômicos.