20 de out. de 2009

Visões Realista e Liberal sobre o Nafta

(Ùrsula Menezes)
Segundo a tradicional perspectiva Realista, as três nações componente do Nafta, EUA, Canadá e México, parecem atuar baseadas somente no interesse nacional imediato, em função de objetivos estratégicos, não importando tanto assim os acontecimentos internos, de ordem econômica ou política. As decisões de política externa, assim, priorizariam as variáveis referentes à movimentação estratégica dos demais Estados, especialmente no contexto mundial.

Nesse sentido, o cenário internacional cada vez mais parece se construir em função das mudanças de posicionamento dos Estados Unidos e, dessa maneira, as avaliações dos componentes do Nafta seriam efetuadas em relação à melhor maneira de atender seu interesse estratégico, se melhor atendido em associação à potência americana, ou se posicionando com mais autonomia (ou até mesmo contra) em relação à potência global.

Analisando o que acontece atualmente no sistema internacional, podemos perceber que prepondera uma tendência de novo equilíbrio de poder entre potências médias, com a coexistência de múltiplos centros de poder. Dessa maneira, muitos Estados parecem optar pelo movimento de alianças variáveis na tentativa de contrabalançar a potência central, como muitas vezes parece mobilizar a União Européia, assim como os países do MERCOSUL e de outras renovadas iniciativas de cooperação nas Américas. Mas, entre os Estados que têm seus interesses estratégicos melhor atendidos ao atuarem junto à potência americana, normalmente estão México e Canadá. Por essa razão, parece existir algum espaço para viabilizar o Nafta, ao atender os interesses dos seus três.

Para estes países, estar ao lado do país mais poderoso do mundo, ou seja, o país que ainda tem a maior capacidade de influenciar os demais Estados no sistema internacional, influenciando muito mais do que é influenciado, parece ser a opção mais vantajosa, porque tendo interesses alinhados, eles se beneficiariam em alguma medida do poder norte-americano. É importante lembrar que o desenvolvimento deste acordo regional também se torna vantajoso não apenas pelas questões relativas ao poder, ou pelas dimensões estratégicas que movem esta aliança, mas também por seus efeitos macroeconômicos e comerciais.

Mesmo com um estado de desconfiança e vigilância permanente entre os três países, o NAFTA deverá ter continuidade, pois representaria, segundo a perspectiva Realista, uma maneira de garantir a aquisição e a preservação de poder, no caso, por meio de alianças de caráter regional. Mesmo que nenhum Estado possa contar com outro para defender seus interesses e sua sobrevivência, nesse caso, esta aliança contempla em boa medida o interesse nacional dos três, e é sempre claro na visão Realista que quando isso não mais acontecer, qualquer dos Estados romperá o acordo, sempre pensando o interesse nacional.