20 de out. de 2009

Balanço crítico sobre a integração nas Américas

(Thomas Fabello)

Analisando todos os processos de integração da América Latina ( Mercosul, Unasul, Comunidade Andina, entre outros) é possível perceber que todos têm um futuro incerto. Por vários motivos, o futuro é uma grande névoa influenciada por decisões políticas e econômicas dos governos da região, e ainda mais, pelas decisões tomadas que não deram certo. Basta avaliar alguns países da região para comprovar isso. Ao mesmo tempo, perguntas sobre o futuro parecem intrigantes. Qual a sustentabilidade do projeto bolivariano ? Qual o impacto do alinhamento de Peru e Colômbia com os EUA ? Qual o futuro das iniciativas integracionistas do Brasil após o governo Lula ? Haverá outra forma de estabilidade para a Argentina além do peronismo ? Qual o futuro da América Latina em relação aos EUA, que agora tem como presidente Barack Obama ?

Também pode ser analisado três importantes pilares para compreender os fracassos dos blocos: a lógica da integração, em que é relatada a falta de vontade política dos blocos e do Mercosul em especial, por ter um perfil de “supranacionalidade realista” ? A lógica econômica, que aborda os poucos avanços obtidos nessa área. E a lógica política, que parece ter se deteriorado ?

Também é possível perceber que o Mercosul praticamente não realiza acordos com outros países. Desde a sua criação, somente um acordo foi firmado, com Israel. Os outros acordos são todos bilaterais. Com isso, principalmente os países menores do Mercosul (Paraguai e Uruguai) ficam seduzidos a cada vez mais realizarem esses acordos,especialmente com os países do Norte, como EUA e União Européia, e saírem do bloco, onde alegam que o resultado esperado não foi atingido.

Há ainda outros fatos que causam discórdia na região, como a preocupação de alguns países, como Venezuela, Bolívia e Equador, sobre a perspectiva de um possível “ALCA Europeu” sobre as Américas, já que muitos países estão preferindo realizar acordos com a EU. Isso poderia gerar um novo bloco, ligando diretamente as relações econômicas entre os dois continentes, baseado no que acontece na América do Norte com a ALCA. Esses países se mostram tão preocupados porque, seguindo-se o modelo da ALCA, representaria um projeto que claramente beneficiaria os integrantes mais poderosos, preservando assimetrias e relações de dependência, como parece acontecer na relação do México dom seus parceiros do Nafta. O mesmo poderia perfeitamente acontecer em relação à União Européia e os países latino-americanos, unidos numa relação de exploração.

Ou seja, parecem existir muito mais obstáculos que oportunidades para o processo de integração regional. É importante ainda frisar que a integração da América Latina é possível e ela seria algo muito positivo para região. Mas, nessa área, as ações não parecem se dirigir para corrigir erros do passado. Ao contrário, parecem produzir novos erros, novos afastamentos, e nova fragmentação. Faltam muitos quesitos para se chegar a uma integração plena e os países parecem estar dando passos para trás. Por isso o futuro é tão nebuloso.