(Úrsula Menezes)
Um dos pontos principais a se levar em consideração na atual conjuntura política e econômica internacional é a volta do Estado a seu papel tradicional de principal gestor dos mercados. Essa tendência parece ser um fator importante para um processo de integração nas Américas, uma vez que essa parece ser a aposta de todos, restituir a defesa dos interesses nacionais nesse momento de fragilidade.
O que parece impedir um novo “boom” na integração regional nas Américas seria a ausência de uma liderança clara no continente para a realização desse projeto, a ausência de prioridades nesse sentido por parte da potência continental, os Estados Unidos.
A prioridade na política externa do governo americano parece ser a “política sanitária” na Ásia do presidente Obama, pois as principais estratégias externas parecem totalmente focadas nas questões de segurança e nas ameaças originadas do Irã, Afeganistão e Oriente Médio. Assim, não seria interessante investir, no momento, em novas iniciativas de apoio à cooperação e integração regional no continente. Os próprios custos políticos destas eventuais iniciativas de liderança regional poderiam ser maiores que os benefícios, causando eentualmente mais tensões e conflitos, num cenário de desconfiança permanente.
Muitos especialistas acreditam que o cenário atual seria o momento ideal para que a América Latina pudesse formar uma nova integração regional, uma integração que fosse além do aspecto puramente comercial. Dessa maneira, os países do continente poderiam se fortalecer no âmbito internacional e fazer frente de maneira mais consistente à crise econômica mundial. Esse seria apenas um exemplo de como a América Latina poderia focar seu rumo estratégico, ao insistir na percepção de que a região não é e não será prioridade para os Estados Unidos.
Esta percepção poderia ganhar mais embasamento quando observamos que as instituições internacionais, que teriam o papel de pilares para uma ordem mundial mais estável e cooperativa, parecem, ao contrário, cada vez mais desmoralizadas, sendo facilmente desrespeitadas, prevalecendo o interesse nacional. Seja diante de critérios Liberais como de critérios Realistas, parecem faltar elementos essenciais para seja possível prever um renascimento da tão falada integração regional no continente.