20 de out. de 2009

Contratempos na Integração Sulamericana

(Diego Zettermann Soeiro)

A América do Sul parece ter se tornado numa zona de disputa entre velhas e novas potencias. A incursão de países como China, França, Espanha e Irã na geopolítica sulamericana parece confirmar a tendência. O que é compreensível, pois a integração do MERCOSUL com a Comunidade Andina permite a formação de um espaço econômico maior que a economia da Alemanha.

A China está interessada no abastecimento de energia, de recusros minerais e de alimentos, pois disso dependem seu crescimento e sua estabilidade política. A Rússia parece interessada em aumentar seus mercados de armamentos, enquanto França e Espanha já possuem forte presença cultural e econômica na América do Sul. Os países da América do Sul possuem a China como um destino importante de suas exportações. Do ponto de vista dos Estados Unidos, o continente não deixa de representar significado geopolítico, devido à proximidade e também em função do seu potencial econômico e ambiental.

Por essas razões, os Estados Unidos têm renovado sua ação na região, através da assinatura de acordos bilaterais, especialmente com Colombia, Peru e Chile, em detrimento de outras iniciativas mais amplas, como a ALCA. Mesmo assim, essa estratégia tem sido percebida na região como uma maneira de aumentar sua influência. Mesmo assim, as ações americanas no Afeganistão e Iraque parecem sinalizar uma postura um tanto quanto negligente à região.

Do ponto de vista dos países sulamericanos, os Estados tendem a fazer o cálculo de qual será o maior benefício, se associar plenamente a acordos de integração da região, ou por outro lado, aderir aos acordos bilaterais americanos, o que lhes permitiria participar de forma mais autônoma no mundo, sem serem absorvidos por um bloco limitado regionalmente.

As incursões de todas essas potências ao mesmo tempo podem ou ajudar ou atrapalhar os processos de integração. Podem oferecer uma maior capacidade de negociação e barganha para os países da região, mas podem também contribuir para a fragmentação, geopolítica e também econômica, através das tradicionais especializações produtivas. Podem operar como força centrífuga, debilitando os laços de cooperação e integração política e conômica dentro do continente.

Os estímulos para a adesão a acordos regionais se relacionam com o fortalecimento proporcionado pela coalizão, ajudando a limitar o poder de outras potências, e agregando áreas de influência e representando uma elevação do status internacional da região. Da mesma maneira, um bloco ativo possibilita maior estabilidade institucional e democrática. Assim, a política de cooperação militar é importante no MERCOSUL, pois ajuda na construção de uma capacidade autônoma de defesa. A integração poderia permitir aos países da América do Sul alcançar aquilo que isoladas não poderiam alcançar e muito menos com sua situação de dependência industrial e tecnológica.