(Daniella Santos )
O Nafta é um bloco econômico formado por Estados Unidos, Canadá e México, garantindo aos membros a situação de livre comércio. Mesmo que com muitas assimetrias, o reduzido número de integrantes, apenas três países, facilita a tarefa da cooperação regional.
Para analistas Realistas, as perspectivas de desenvolvimento deste bloco não são grandes, pois os normalmente vêem os Estados como os únicos atores determinantes das relações internacionais, de maneira que a cooperação acaba sempre sendo problemática. Acreditam ainda que a integração regional acabe por inibir o poder soberano dos Estados, especialmente no que se refere à relação custo-beneficio entre integração e delegação de soberania. Normalmente, a tendência seria perceber essa relação como negativa, trazendo mais custos do que benefícios, pois, para essa perspectiva, o interesse da integração viria apenas da possibilidade de atingir os objetivos que desejam. Por isso, o nível em que se encontra atualmente o bloco parece ser suficientemente confortável para os seus membros, já que atingem, de uma maneira ou de outro, atendem os objetivos, seja para EUA e Canadá, conseguindo reduzir custos de produção ao instalarem filiais no México, aproveitando a mão-de-obra barata e incentivos ali disponíveis, mas também para o México, ao gerar empregos para sua população e aumentar suas exportações de manufaturados. Da mesma maneira, o México parece conseguir, através do Nafta, se projetar melhor no cenário mundial, pois se trata de um país com potencial de desenvolvimento e com bom relacionamento com potências tradicionais. Com essa geração de empregos no México, pode ajudar a diminuir a imigração nos EUA, pois não será necessário mudar de país para conseguir uma chance de trabalho, por isso não é interessante e vantajoso aos EUA que expanda o nível do bloco para circulação de mão – de – obra, ainda mais depois da crise, onde o desemprego aumentou.
Assim, analisando-se as perspectivas sob uma ótica Realista, poderíamos traçar como cenário possível baseado na manutenção do mesmo estágio de integração, uma vez que o Nafta está funcionando, atendendo aos interesses e necessidades dos seus três membros, se beneficiando com ele, no plano imediato, como no plano estratégico global.
Outro cenário de inspiração Realista para o bloco, numa variação mais pessimista, poderia ser a estagnação (e até extinção) do bloco, pois, considerando que as alianças são instáveis, então, mudanças estruturais no cenário global poderiam tornar esta iniciativa regional desnecessária, deixando de atender os interesses estratégicos dos países membros, que poderiam ser trabalhados de outra maneira e por outros caminhos estratégicos, como o bilateralismo.
Já segundo visões de inspiração Liberal, os Estados nacionais tendem a cooperarem, em função da percepção e da construção de interesses comuns advindos do comércio e das finanças internacionais. Esta percepção se apóia na idéia de “soma positiva”, segundo a qual, todos podem ganhar ao mesmo tempo nas relações internacionais, não necessariamente na mesma proporção, claro, mas todos poderiam ganhar com as trocas internacionais e a cooperação, e isso seria percebido como suficiente. Seria isso o que ocorreria no Nafta, onde nenhum membro perde em termos absolutos com o acordo, todos estão sendo beneficiados de alguma maneira e em alguma intensidade.
Dentro do Liberalismo, encontramos visões Funcionalistas, segundo as quais, o processo de integração internacional é visto como um processo de desenvolvimento gradual, baseado em dinâmicas de aprendizagem contínua. A cooperação iniciada num setor terá tendência a espalhar-se a vários outros (processo de spill-over) e, por isso, surgirá a necessidade de instrumentos de coordenação da cooperação cada vez mais extensa. Isso é o que pode vir a acontecer com Nafta, que está no estágio mais simples de integração, no qual os países conseguem manter o controle do acordo, porém se for de comum interesse para os três, o bloco pode avançar de nível.
Nessa perspectiva, um cenário que podemos traçar, seria a expansão da cooperação no âmbito do livre comércio para outros níveis e outros temas, contribuindo para o fortalecimento do Nafta como um bloco. Claro, caso seja de interesse de todos os membros, pois, caso contrário, o bloco pode se manter na mesma situação em que se encontra, ou até mesmo se estagnar.
Outro cenário seria o avanço para o multilateralismo, no qual seria a adesão de mais países ao bloco, para a resolução de problemas comuns que sozinhos não conseguem resolver ou interesses comuns que querem ser atingidos. Então, precisam cooperar uns com os outros para que encontrem soluções para esses problemas e para isso, deverão “abrir mão” um pouco de sua soberania, já que irão adotar algumas políticas comuns.
Como é o caso que ocorre agora no Nafta, a proximidade do Chile com o bloco, que já apresenta acordos bilaterais com Canadá e México e está se aproximando dos EUA, mesmo apresentando uma economia pequena em relação aos outros membros, o Chile oferece benefícios que lhes interessa.