Felipe Widera da Silva*
No dia 28 de junho de 2009 o então presidente de Honduras, José Manuel Zelaya, foi deposto e ameaçado de prisão deixou o país no meio da madrugada. O que caracterizou como golpe de Estado a ação coordenada por Roberto Micheletti foi a deposição do presidente e seu julgamento por tribunal comum, o que não se aplicava ao presidente da República. O argumento é que se não houvesse a intenção de Zelaya, influenciado ideologicamente por Chávez, para permanecer no poder, para tal, convocando um plebiscito o que é juridicamente ilegal pela constituição hondurenha, a oposição não o destituiria.
A esses argumentos, Zelaya refutou se sustentando em defesa da democracia, conseguindo ainda apoio de vários países da América Latina, em especial da Venezuela.
O tempestuoso regresso de Zelaya foi marcado por uma arrojada operação de “resgate”, da qual afirmam que Chávez foi o principal mentor. O Brasil, pressionado pela sua instável liderança na América Latina, se precipitou e resolveu fazer parte da operação e, irresponsavelmente, cedeu a embaixada brasileira em Honduras como asilo político à Zelaya.
Por sua vez a OEA que, naturalmente, deveria ser a principal condutora da crise política/institucional de Honduras, decidindo-se até mesmo por algum tipo de intervenção, não desempenhou esse papel com a eficiência que é esperada de uma organização de tal porte. Criticada por muitos de ser um instrumento servil dos Estados Unidos, a OEA demorou a agir e quando o fez isolou a já tão frágil economia hondurenha. Em julho, ao dar um prazo de 3 dias para que o poder fosse restituído a Zelaya, ainda por cima foi ignorada por Micheletti.
A nova política de governo de Obama, mais direcionada para a consolidação do “soft-power”, levou os EUA a ficarem omissos na crise hondurenha. Historicamente, esta área é de influência geopolítica norte americana, sendo o papel dos EUA decisivo para um bom desfecho da crise. Obama perdeu a chance de mostrar que somente com o exercício de seu papel de hegemon a crise teria um rápido desfecho. No entanto, em momentos esta foi conduzida por uma doutrina ultrapassada, exercida por Chávez e que tem chances de ampliação. Com o isolamento econômico e a pressão internacional, o caso Honduras tomará um caminho em que o resultado para o Brasil não fortalece sua posição de aspirante a líder da América Latina e os EUA perde influência na região para Chávez.
Fonte: http://lawyer48.wordpress.com/2009/09/26/asilo-e-refugio-politicos-o-caso-honduras/
http://www.ciranda.net/spip/article3216.html
http://argemiroferreira.wordpress.com/2009/07/07/honduras-a-oea-e-o-papel-dos-eua/
* Artigo elaborado para o curso de Relações Internacionais da ESPM-Rio – 26/11/2009 - Profª. Gloria Moraes e Prof. FernandoPadovani.