7 de dez. de 2009

O Caso Honduras

Bruno Mantovani Pinheiro Guimarães*

Pelo fato do então presidente Manuel Zelaya ter porposto reforma na Constituição hondurenha e tentar a reeleição, tendo assim a possibilidade de perpetuação no cargo, tornou-se legítima a ação do corpo militar de Honduras, que seguiu à risca os preceitos constitucionais de Honduras. Nada mais justo!
O fato de ter sido deposto pelo exército levou vários analistas, assim como governos, a verem um golpe militar na deposição de Zelaya. Porém, de acordo com a Constituição, qual outra força poderia então tirar Zelaya de seu cargo? Se tirassem a palavra golpe do que aconteceu, a simpatia internacional que antes estava com Zelaya voltar-se-ia para o então presidente do Congresso, Roberto Micheletti? Vários fatos ocorreram, tirando então a atenção do começo da história e da crise. As opiniões e leituras sobre situaçãoes desse tipo não são coesas e é difícil haver consenso entre cidadãos, governos e analistas, seja ao redor do mundo ou na região em questão. Maior dissenso há ainda entre as políticas externas dos países diretamente envolvidos na solução da atual crise hondurenha.
De acordo com vários analistas, o fato do então presidente da Venezuela, Hugo Chavez, querer influenciar a região latino-americana para trilhar um novo caminho, ou seja, seguir a alternativa bolivariana implica em instabilidade regional. Chávez com seu poder de influenciar e, de certo modo, incomodar seu adversário, os Estados Unidos, vem consguindo o que deseja.
Os Estados Unidos costumam em sua política externa ser um país muito participante em crises de outros países, porém, no caso hondurenho não se manifestou da maneira que normalmente o faria. Deu palpites e deixou para o agora grande player das questões regionais, o Brasil, intermediar o caso. Fosse por questões internas do governo Obama, que viu na proximidade dos militares de Honduras com os do Pentágono um rastilho de pólvora, ou por desejo de não se desgatar na região, onde vem posicionando bases militares, uma posição mais firme dos EUA e o respaldo da OEA fizeram falta.
O Brasil buscando assegurar seu devido posto como país hegemônico da região latino-americana, decidiu entrar no caso junto à opinião de Chavez, que manipulou o Brasil a tomar decisões precipitadas, que depois de tomadas colocaram o Brasil em uma saia justa não muito agradável, pois ao conceder abrigo a um cidadão hondurenho que já havia deixado o país, porém que regressou ao mesmo, tira o caráter de abrigo da embaixada brasileira, que diplomaticamente perde sua renomada tradição de tomar decisões muito bem fundamentadas.
Consequentemente, um caso que não deveria tornar-se de grande alarde, torna-se, devido ao fato de um país que ao tentar demonstrar sua capacidade no âmbito internacional, torna-se um país manipulado, atrapalhado, que mais atrapalhou do que ajudou.
* * Trabalho apresentado para o curso de RI-ESPM – Rio – Profª. Gloria Moraes e Prof. Fernando Padovani.